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O que é stablecoin?

Criptomoedas

Escrito por

Lorenzo Frazzon

em

22

de

Oct

de

2019

O que é stablecoin?

O mercado de criptomoedas tem crescido muito desde as primeiras transações com o Bitcoin, o que se verifica com o aumento dos valores investidos, do volume de transações e da variedade de projetos oferecidos aos investidores. 

A inovação das transações criptografadas e a alta volatilidade dos preços da principal criptomoeda – o Bitcoin – aguçam o apetite dos investidores e a curiosidade dos leigos. No entanto, para os perfis mais conservadores, a dificuldade de entender como as moedas digitais se valorizam pode gerar certo receio e até afastá-los dos negócios.

Surgiram então opções de stablecoins (moedas estáveis, em tradução literal), que são tokens cuja estabilidade é atrelada a ativos, fazendo com que a volatilidade do preço no mercado não seja tão alta quanto à de outras criptomoedas que não possuem um lastro

Stablecoins como melhores alternativas

Por suas características, as stablecoins não se prestam tanto ao papel especulativo quanto o Bitcoin, Ether ou Ethereum, o que ocorre pela segurança de um mecanismo aplicado às moedas nacionais até 1971: o lastro em um ativo confiável, depositado num banco como garantia de valor à moeda corrente.

Pelo fato de não variarem tanto, as stablecoins aparecem como alternativas melhores às transações peer-to-peer do que as moedas digitais sem lastro, diminuindo os riscos de alterações muito bruscas nos valores conferidos a um produto numa compra. 

Também se mostram mais confiáveis como unidades de valor, o que possibilita o uso no parcelamento de uma dívida ou no pagamento dos salários de uma empresa, pois minimizam os riscos de uma inflação muito rápida, causada por ondas de especulação.

Moedas como o Bitcoin e o Ethereum, se não podem oferecer estabilidade para funcionarem regularmente como meios de troca, podem funcionar como reserva de valor para projetos de outras moedas digitais, servindo não apenas para traders mas também para investidores menos agressivos. 

Dessa forma, esses investidores podem se beneficiar dos criptoativos mais procurados indiretamente, na medida em que são usados como moedas colaterais para outras moedas que sirvam para transações digitais.

Existe uma imensa variedade de stablecoins disponíveis no mercado, que podem ser classificadas em 3 grupos principais, de acordo com o mecanismo de regulação ou os ativos às quais estão lastreadas: atreladas à colaterais correntes (centralizadas), atreladas à colaterais – criptomoedas (descentralizadas) e as que não usam um colateral, mas sim um algoritmo para regulação do preço.

Stablecoins atreladas à colaterais correntes

As criptomoedas atreladas à colaterais correntes têm como lastro moedas físicas nacionais (real, dólar, euro, etc.) ou ativos valorizados, como certificados de ouro, prata ou outros metais. 

Esses ativos são depositados em uma instituição de confiança – de preferência diferente daquela que emite a moeda digital – e a cada unidade do valor depositado é emitida uma stablecoin correspondente. Nesse caso, a moeda lastreada representa no meio digital a reserva de valor depositada e deve, preferencialmente, manter a paridade no valor. Dois exemplos de moedas que usam colaterais correntes são o Theter e o True USD.

O True USD é um token de mecanismo bem simples: ele transforma os dólares, enviados pelos clientes a instituições cadastradas, em representações desses dólares no meio digital. É possível o resgate desses dólares através da eliminação desses tokens. Na Investtor é possível investir em True USD adquirindo a Estratégia Moderna, que contém uma cesta de criptomoedas para o investidor que busca uma maior diversificação de sua carteira de cripto-ativos.

As principais vantagens desses tokens são a baixa volatilidade, se comparados com outras criptomoedas, pelo fato de serem pareados por ativos centralizados em depósitos, além da menor possibilidade de serem hackeados, já que estão atrelados a ativos que não estão no meio digital. 

Por outro lado, demandam custos com a custódia dos ativos que servem como lastro, auditorias independentes, mais gastos com regulações e burocracia governamental, o que os torna mais parecidos com moedas e ativos não-digitais.

Stablecoin atreladas à colaterais criptomoedas

São tokens que têm como lastro outras criptomoedas, o que torna todo o sistema fora da regulação do sistema monetário e, portanto, descentralizado. Por essa razão, para atingir a estabilidade desejada, não deve haver um pareamento de uma unidade da stablecoin emitida para cada unidade da cripto-colateral usada como lastro, como acontece nos casos das colaterais correntes. 

Deve haver uma razão diferente (maior que 1) entre a cripto colateral e o token emitido, para que a volatilidade da colateral – que também está no ambiente blockchain –, não afete na mesma proporção a moeda digital lastreada.

Um exemplo de stablecoin com criptomoeda com colateral é a MakerDao Dai, que é emitida valendo US$ 1,00 para cada US$ 1,50 de Ethereum usado como lastro. Nesse caso, mesmo com a volatilidade do Ethereum, a diferença de 50% na emissão de cada Dai dá certa segurança ao investidor de que o valor deve ficar próximo de US$ 1,00.

Esse modelo traz as vantagens de que todo o sistema é descentralizado, como a facilidade de liquidação em transações, mais rápidas e baratas, sem necessidade de regulações e auditorias para verificação da quantidade de moeda usada como colateral. Como desvantagens estão a volatilidade, o preço menos estável para ser usado como moeda de troca e a dependência do bom desempenho de apenas uma outra criptomoeda colateral.

Stablecoin não-colateralizadas

O terceiro tipo de stablecoin não usa um ativo real, nem mesmo um criptoativo como lastro. A moeda digital é programada para funcionar de forma parecida a um Banco Central, que emite títulos para venda, tirando moeda de circulação (valoriza a moeda), ou que recompra os títulos de dívida emitidos, colocando de volta moeda em circulação (desvaloriza a moeda). Assim, a moeda digital é programada para manter a estabilidade do seu valor, eliminando unidades caso o preço esteja muito abaixo, ou emitindo mais unidades caso o preço esteja acima do desejado.

O token Basis Coin é um exemplo de moeda que usa smart contracts para fazer a função de um Banco Central e regular o próprio preço, emitindo ou recomprando unidades de acordo com a oferta e demanda verificadas nas exchanges, que influenciam no seu valor corrente.

As stablecoins não-colateralizadas não precisam gastar ou administrar ativos como lastro, são mais descentralizadas e independentes. No entanto, esta independência pode ser contaminada se todo o ambiente de moedas digitais for atingido, e nesse caso não haverá ativo colateral para manter a estabilidade.

Em busca de um mercado de criptomoedas

Uma moeda digital pode começar com um colateral, funcionando como garantia de estabilidade, mas adquirir a confiança do mercado e abrir mão de possuir ativos como lastro, evoluindo para uma stablecoin não-colateralizada. 

Essa trajetória seria parecida com a das moedas nacionais atuais, que se baseiam na confiança da regulação dos Bancos Centrais e na força das economias nacionais. Este seria um caminho natural e desejável do amadurecimento do mercado de criptomoedas, que mal completou 10 anos de transações, rumo a transações rápidas, fáceis, confiáveis e sem intermediários.

Estabilidade, segurança e previsibilidade possibilitaram às stablecoins uma fração do mercado não atendida pelas criptomoedas mais famosas. Até que este mercado se consolide como opção viável de moeda para transações comerciais – sem a necessidade de um lastro como fator de confiança adicional –, as stablecoins devem prosperar em volume de transações e opções de projetos, evoluindo em busca de soluções inteligentes e baratas às moedas físicas tradicionais.

A Investtor auxilia você nesse caminho, facilitando a aquisição de Bitcoin ou de cestas de criptomoedas, inclusive stablecoins e alguns de seus colaterais, de forma segura e acessível.

Lorenzo Frazzon

CSO, Economista